Você sente que se perdeu de si mesma?
- Juliana de Melo
- 26 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 10 de jun. de 2025
Quando o mal-estar não tem nome, mas se espalha pelo corpo e pela rotina
Às vezes é difícil explicar.
Você sente um cansaço que não passa, mesmo depois de dormir.
Ou uma tristeza que aparece do nada: no meio do dia, no banho, ao preparar o jantar.
Pode ser ansiedade, insônia, irritação, mudanças no corpo, no apetite ou na libido. E o mais confuso é que nem sempre tem um motivo claro.
No consultório, eu e meu esposo, que é psiquiatra, ouvimos mulheres dizendo:
“Parece que me perdi de mim mesma.”
“Me sinto como uma boneca do meu marido, preciso atuar como o cargo dele exige.”
“Finjo dor de cabeça ou estar dormindo só para não ter relação com meu marido.”
“Levo toda a família nas minhas costas, preciso resolver os problemas de todo mundo.”
“Passo mal só de pensar no meu trabalho.”
“Não quero morrer, mas às vezes penso que seria melhor se eu não existisse.”
Nem sempre é depressão. Nem sempre é só estresse. Às vezes, é o resultado de viver tanto tempo afastadas de quem essas mulheres são, sem espaço para sentir, se escutar ou simplesmente existir.

O corpo fala, mesmo quando a mente não entende
Sentir que algo está fora do lugar, mesmo sem um diagnóstico definido, é mais comum do que parece.
Em muitos casos, os sintomas emocionais começam a se manifestar de forma física: dor no peito, tensão muscular, dificuldades para dormir, ganho ou perda de peso, falta de desejo sexual.
O corpo encontra maneiras de dizer o que ainda não foi colocado em palavras.
E, muitas vezes, o que está por trás desses sinais é um sofrimento silencioso: um acúmulo de emoções não expressas, dores ignoradas, desejos esquecidos.

Não é fraqueza. É um pedido de escuta
É comum que, diante desses sintomas, a busca imediata seja por alívio. E ele pode mesmo ser necessário: um medicamento, um afastamento, uma pausa.
Mas também pode ser o momento de olhar com mais cuidado:
O que, dentro de mim, tem pedido espaço para existir?
Que partes de mim ficaram esquecidas nesse processo de dar conta de tudo?
Não se trata de escolher entre medicação ou terapia. Trata-se de entender que escutar o que sentimos também faz parte do cuidado.
A arteterapia como caminho de reconexão
A arteterapia é uma abordagem terapêutica que convida à escuta por meio da criação. Aqui, não é preciso saber desenhar, pintar ou bordar. O foco não está na técnica, mas na expressão.
Com papel, imagem, argila, cor ou linha, é possível criar um espaço simbólico onde aquilo que sentimos pode ganhar forma, mesmo quando ainda não temos palavras.
Esse processo não substitui avaliações psicológicas, psiquiátricas ou médicas. Mas pode ser um complemento potente para quem deseja se escutar de um jeito mais profundo e respeitoso.

Como funciona uma sessão arteterapêutica?
As sessões de arteterapia que ofereço são online, voltadas exclusivamente para mulheres, e sempre conduzidas com cuidado, ética e sensibilidade.
Cada encontro é único: às vezes o que surge é um desenho, às vezes é o silêncio que revela. O mais importante é que seja um espaço seguro para que você possa simplesmente ser.
Os materiais expressivos e as propostas criativas são sugeridos conforme o que vai emergindo em cada processo. Tudo é pensado a partir do que cada mulher traz. Com escuta, cuidado e respeito pelo seu tempo e por sua história.

Um convite ao sentir
Se você tem vivido no automático, ou sente que se afastou de si mesma, talvez essa seja a hora de se escutar de um jeito novo.
A arteterapia pode ser um caminho para isso: um espaço onde o sentir é bem-vindo e onde é possível, aos poucos, se reconectar com o que faz sentido para você.

Se você deseja entender melhor como funciona o atendimento ou tem dúvidas sobre o processo, estou à disposição para te orientar.
Fontes que sustentam este caminho terapêutico:
JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus Símbolos
JUNG, Carl Gustav. A Prática da Psicoterapia
SILVEIRA, Nise da. Imagens do Inconsciente




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