Juliana de Melo – Caminhos que me trouxeram até aqui
- Juliana de Melo
- 26 de mai. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 31 de mai. de 2025
Quando percebi que a arte sempre esteve comigo

A arte sempre foi meu ponto de partida. Mesmo sem saber, eu me expressava através dela desde muito cedo. Desenhar, pintar, organizar os materiais com cuidado era algo natural, um espaço em que eu me sentia inteira.
Na hora de escolher uma profissão, comecei pela fisioterapia. A vontade de cuidar estava lá, mas não encontrei sentido no conteúdo técnico e prático demais. O que me encantava eram justamente os momentos em que eu podia desenhar estruturas do corpo humano, era a arte me chamando de novo.
No final do primeiro ano de fisioterapia descobri o curso de Artes Visuais. Bastou ler a grade curricular para entender que ali havia algo que fazia sentido. Não pensei em mercado de trabalho ou retorno financeiro. Fui porque queria. E me encontrei.
Comecei a dar aulas pouco tempo depois de formada. Atuei em escolas públicas e particular, com crianças e adolescentes. Vi realidades muito diferentes.
Alunos que desejavam estudar para passar no vestibular, outros que sequer tinham caderno. Professoras sobrecarregadas, cansadas, tomando medicações para continuar. Mas também vi beleza: nas crianças que esperavam minha aula com alegria, nos adolescentes que voltavam no contraturno para dançar ou ensaiar peças teatrais. Momentos em que a arte fazia sentido para eles também.
Com o tempo, senti que precisava de mais ferramentas para acolher tantas demandas. Fiz uma pós em Arte Educação e outra em Educação Especial.
Nestes contextos, conheci professoras que eram também psicólogas e percebi que havia um caminho que unia arte, escuta e cuidado. Uma nova possibilidade para mim.
A vida em outro país e o recomeço que me fortaleceu
A oportunidade de estudar Psicologia surgiu quando meu marido decidiu cursar Medicina em Asunción no Paraguai. Fomos juntos. No início, considerei Medicina também, mas a angústia era forte demais. Decidi escutar esse incômodo. Escolhi Psicologia.
Viver em Asunción foi também um mergulho em uma cultura rica e surpreendente. Tive a oportunidade de ter aulas com professores excelentes, formados em diferentes países como Espanha, Argentina, Chile e Brasil.
Cada um trouxe perspectivas únicas, ampliando minha forma de pensar e enxergar o cuidado, o ser humano e os processos de transformação. Essa diversidade de referências teóricas e práticas me enriqueceu imensamente, e segue presente na forma como conduzo cada encontro terapêutico.
Conheci lugares lindos, cheios de história, tradições e simbolismos que permanecem comigo até hoje. A convivência com pessoas de diferentes regiões e países ampliou minha percepção do mundo e das relações humanas.
Fiz amizades que levo no coração, trocas que continuam ecoando no que sou e no que ofereço. Essas vivências me ensinaram sobre respeito, diversidade e a beleza das diferentes formas de ser e estar no mundo.
Por um tempo, para ajudar nas finanças, vendi bombons, ovos de Páscoa, bolos de aniversário. Mais do que empreender, era uma forma de continuar criando com as mãos. E deu certo!
Até hoje ouço que sentem saudades dos meus bombons. Isso me mostrou que o que eu faço com dedicação, floresce. Mesmo longe da zona de conforto, descobri que sou corajosa, criativa, capaz de me reinventar e aprender.
Nos estágios, trabalhei com grupos de mulheres. Muitas falavam sobre a maternidade, sobre cansaço, sobre solidão. Percebi que, independente da proposta, elas traziam suas histórias, com verdade. Algo em mim se conectava a isso. Comecei a direcionar meu olhar para esse universo feminino. Às vezes com dúvidas, mas sempre com vontade de entender mais.
Meu TCC foi sobre o vínculo inicial entre mães e bebês em um hospital de referência em Asunción. Observei as primeiras trocas, os gestos, os olhares. Relacionei essas observações com teorias sobre os primeiros vínculos. Foi um estudo que me tocou profundamente e confirmou minha escolha.
A Arteterapia e o bordado como expressão do meu percurso

Minha conexão com a Arteterapia não começou na Psicologia, mas lá atrás, no meu TCC de Artes Visuais, em 2009.
Eu queria usar o bordado como parte do meu trabalho prático. Minha orientadora então, me apresentou Arthur Bispo do Rosário. Fui ler, pesquisar, e acabei encontrando Jung, Nise da Silveira e a própria Arteterapia.
Bordei em um manto uma mandala com flores de amor-perfeito, com palavras que representavam a base que recebi dos meus pais. Era minha forma de dizer: sou protegida. Foi um trabalho questionado por alguns, mas defendido com acolhimento pela minha orientadora. Era diferente, mas era verdadeiro.
Anos depois, ao concluir a formação em Arteterapia, revisitei essa mandala. Bordei outra. Agora com um novo sentido. A proteção não vinha mais apenas do que recebi. Vinha também do que fui capaz de construir em mim. Do amor-próprio, da escuta, da coragem de olhar para dentro.

Carrego comigo o bordado, a mandala, as flores de amor-perfeito. São símbolos do cuidado, da escuta e do tempo do processo. Estão na minha logomarca e em toda a trajetória que me trouxe até aqui. Representam o que recebi e o que fui capaz de construir.
A maternidade como um ponto de virada

A chegada da minha filha foi intensa. Não só porque tudo muda com um bebê nos braços, mas porque muitas coisas adormecidas em mim vieram à tona. Vivi momentos de solidão e medo, apesar de toda a alegria. E percebi que muitas outras mulheres sentem o mesmo. Mas nem sempre falam sobre isso.
A maternidade me deu ainda mais convicção do quanto precisamos de espaços seguros para compartilhar, sentir e reconstruir. Eu mesma passei por esse caminho. E isso tornou meu olhar mais atento, mais empático, mais preparado para acolher e acompanhar a jornada de outras mulheres.
Meu jeito de cuidar
Atendo exclusivamente mulheres porque reconheço a potência dos encontros entre elas. O espaço que ofereço é feito de escuta, tempo e sensibilidade.
As sessões são online, duram 1h15 e envolvem conversa, produção expressiva e partilha. Os materiais são introduzidos conforme as necessidades de cada processo.
Além disso, envio conteúdos complementares — textos, tarefas, sugestões — escolhidos com cuidado para dar continuidade ao que está sendo elaborado em cada encontro.
Também mantenho contato direto, quando acordado previamente, pois acredito que o vínculo terapêutico se sustenta também na presença ao longo do processo, e não apenas no horário marcado.
Cada percurso é singular. Por isso, crio um plano de acompanhamento único para cada mulher que chega até mim. Esse plano não parte de fórmulas prontas, mas do que emerge em cada processo, com cuidado e coerência.
Não ofereço respostas prontas. Mas caminho junto. Com base sólida, escuta verdadeira e experiência.
Um convite para quem deseja se reencontrar

Talvez você sinta que algo não está bem, mas não saiba exatamente o que é. Talvez só queira respirar com mais leveza. Ou sentir que está vivendo algo que faz sentido para você.
Enfrentar o medo de começar é infinitamente menor do que a grandiosidade de estar voltando para si.
A Arteterapia é um caminho para isso. E se quiser, estou aqui.




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